quinta-feira, 31 de março de 2011

SENNA (Senna – Inglaterra, 2010)


Direção: Asif Kapadia
            O herói, de uma forma geral, surge como uma figura representativa de sua comunidade que assume para si a responsabilidade de levar o nome de seu povo para a posteridade, protegendo-o dos possíveis inimigos que possam surgir diante dele. Carregado de virtudes, tais quais coragem, altruísmo, além de moral e de um comportamento ético, o herói até pode agir de forma contrária ao que chamamos de bons costumes, mas sua atitude sempre estará embasada em uma justificativa válida. Seu campo de batalha será sempre um refúgio para seus atos de heroísmo e, caso venha a sucumbir que seja em ação a fim de que seja sempre lembrado por seus atos heróicos em sua jornada rumo à eternidade.
            Após mais de vinte anos sob um regime de ditadura militar, seguido de uma crise econômica séria e amargando um longo jejum de títulos mundiais em seu esporte favorito – o futebol, o povo brasileiro estava carente de heróis. Foi a partir de meados dos anos oitenta que o Brasil – e o mundo – viu emergir a imagem de um jovem piloto cuja carreira o colocaria no hall dos grandes esportistas mundiais. Ayrton Senna da Silva chegou à principal categoria de automobilismo em 1984 e rapidamente chamou atenção das principais escuderias da Fórmula Um e conseguindo, em uma década, três títulos mundiais, algumas desavenças, além de levantar vários questionamentos sobre o esporte que praticava, em especial, no tocante às influências políticas e econômicas que sobrevoavam as competições. Através da utilização de imagens de arquivo e de depoimentos de especialistas em automobilismo, o documentário Senna acompanha essa década no intuito de desvendar a figura do piloto e do homem Ayrton Senna e sua consagração como herói nacional.
            Trazendo, obviamente, como protagonista de sua narrativa o piloto brasileiro, o diretor Asif Kapadia apresenta o personagem em sua juventude no kart e junto à família até sua entrada na Fórmula Um e sua rápida ascensão à McLaren, formando equipe com aquele que seria seu principal antagonista: o piloto francês Alain Prost. As diversas desavenças com Prost – representadas principalmente pelo desfecho dos grandes prêmios do Japão de 89 e 90 (anos em que Prost e Senna foram campeões mundiais respectivamente, depois de batidas entre si, as quais geraram muita controvérsia) – e com o presidente da FIA, o também francês Jean-Marie Balestre, demonstram o lado crítico de Senna e sua insatisfação com o jogo político que existia por trás dos panos na categoria. Além disso, o documentário apresenta as diversas indagações que o brasileiro fez sobre o regulamento das competições – como quando questiona o lado da pista em que o pole position  largava ou sobre os riscos que os pneus colocados na chicane causavam à segurança dos pilotos.
            Em paralelo, Kapadia apresenta o lado humano de Ayrton Senna e sua condição de ícone midiático. O filme mostra inúmeras imagens e depoimentos de Senna sobre a condição de pobreza de seu país e de seu desejo em auxiliar os menos favorecidos. Sua vida pessoal – que, em virtude dos seus feitos nas pistas e de seu caráter contestador, acabou por atrair a atenção da mídia e de inúmeros fãs pelo mundo todo – é representada pela sua relação junto à família e seus casos amorosos com a apresentadora Xuxa Meneghel e com a modelo Adriane Galisteu. Entretanto, o grande momento de Senna surge quando somos levados ao circuito de Ímola em San Marino. De forma bem estudada, somos levados a conhecer todos os acontecimentos daquele fatídico final de semana marcado pelos acidentes de Rubens Barrichello e de Roland Ratzenberger – este fatal. As reações dos pilotos quanto à morte do colega austríaco e a tensão visível em Senna parecem prever os acontecimentos do dia seguinte e o fato de o espectador ter consciência do que testemunhará em instantes, torna a situação ainda mais conflitante.
            No momento ápice do filme, acompanhamos Senna em sua última volta antes do acidente que lhe tiraria a vida através de uma câmera acoplada a seu carro. O mito Senna sucumbia, diante de milhões de espectadores, em seu ambiente de trabalho, fazendo aquilo que mais gostava, representando seu povo na pista e as imagens de seu funeral somente provam seu papel heróico junto a seus conterrâneos e aos seus colegas de trabalho. Aquele primeiro de maio tornou-se histórico, não apenas pela perda de um ícone do esporte mundial, mas também pelas conseqüências que aquele acidente causaria para a Fórmula Um – todas voltadas para a garantia de segurança dos pilotos.
            Um documentário muito bem realizado e muito bem montado – se levarmos em consideração que a base do projeto foi a utilização de imagens de arquivo – e que faz jus àquele que considero ser o último herói do esporte brasileiro. 

domingo, 20 de março de 2011

O PARQUE DOS DINOSSAUROS (Jurassic Park - EUA, 1993)

Direção: Steven Spielberg

Quando tinha sete anos de idade, assisti no cinema a um filme que me marcou para o resto da vida – não apenas pela história recheada de aventura cujo desenvolvimento me prendeu do início ao fim, mas também pela maravilhosa trilha sonora que acompanhava a ação dos personagens. O título desse filme era Aladdin e meu pai me levara ao cinema para assisti-lo em uma época que os cinemas de rua ainda dominavam as esquinas da cidade e entrar em um shopping para desfrutar de tal entretenimento era algo improvável – quase surreal. Ao fim da sessão, ao passar pelos corredores do cinema fiquei tão extasiado pelos cartazes espalhados pelo caminho quanto pelo filme que acabara de assistir – eram parte da promoção do breve lançamento de Parque dos Dinossauros – Jurassic Park. Entretanto, apesar de todos os meus esforços para tentar convencer alguém de me levar ao cinema para assistir a esse filme, minha família acabou achando que eu era novo demais para vê-lo e acabei perdendo a chance de assisti-lo na telona (algo que me dói até hoje, mas ainda tenho esperanças de que um dia relancem a película restaurada e remasterizada – quem sabe para comemorar os vinte anos do lançamento). A verdade é que tive que esperar o lançamento em VHS, algo que na época demorava muito, e uma alma caridosa que se disponibilizasse para alugá-lo – o que aconteceu pelas mãos do meu tio que apareceu em casa com o filme em mãos para meu delírio. Àquela altura, Parque dos Dinossauros já tinha alcançado o status de maior bilheteria da história do cinema, posição que seria mantida por cinco anos, quando foi ultrapassado pelo Titanic de James Cameron.
O ano de 1993 foi um ano muito ambicioso para Steven Spielberg, pois, além de abraçar o projeto jurássico, causou comoção mundial ao mergulhar na triste realidade do holocausto com seu A Lista de Schindler. Spielberg é um diretor de extrema competência, variando sua obra entre mega blockbusters de verão, (um gênero criado pelo próprio com seu Tubarão) recheados de aventura e efeitos especiais, e dramas históricos tais quais Schindler e o recente Munique. A questão é que, mesmo os blockbusters dirigidos por ele, são filmes que rendem discussões profundas sobre técnica, estilo e mensagem – com Parque dos Dinossauros não seria diferente.
A partir de pesquisas científicas que indicaram ser capaz a clonagem de seres extintos através de amostras de DNA contidas em mosquitos fossilizados, John Hammond (interpretado por Richard Attenborough) financia um parque onde as principais atrações são dinossauros recriados geneticamente em laboratório (três anos antes do nascimento da ovelha Dolly). Entretanto, a fim de poder abrir o parque ao público, Hammond precisa da aprovação de especialistas ligados ao estudo de paleontologia, bem como de um representante dos financiadores interessados em investir na atração. Para isso, ele convida os cientistas Allan Grant (Sam Neil), Ellie Sattler (Laura Dern), o matemático Iam Malcom (Jeef Goldblum) e o advogado Donald Gennaro (Martin Ferrero), os quais abrem as discussões éticas sobre a criação da vida em laboratório e o risco de unir espécies separadas por milhões de anos de evolução. Posteriormente eles se juntam aos netos de Hammond, os jovens Lex (Ariana Richards) e Tim (Joseph Mazzello) para um passeio teste pelo parque – algo que irá culminar com um ato de sabotagem cuja conseqüência será a liberação dos monstruosos dinossauros, colocando-os no caminho dos personagens em suas tentativas de fugir com vida daquele lugar.
Mestre em gerar expectativa, entrelaçando-a com ação e aventura, Spielberg não entrega o prato principal sem antes oferecer uma boa entrada. Assim como fez em Tubarão, os grandes vilões de Jurassic Park só surgem após uma hora de projeção e, se neste filme ele não tem meios de gerar expectativa com as vítimas sendo arrastadas e sugadas pelo mar por um vilão invisível, o meio encontrado foi a apresentação de outros dinossauros – sejam herbívoros ou raptores saindo do ovo – para o deleite dos espectadores. A partir de então, o suspense toma conta da história e uma série de seqüências antológicas pode ser apreciada pelos amantes da sétima arte. A começar pela cena em que o temido Tiranossauro destrói as cercas que o separam dos visitantes do parque – o uso do ponto de vista daqueles que estão no carro enquanto vemos o tamanho da ameaça que passa a sua frente já é de gelar a espinha. E logo adiante o belo plano da jovem Lex aterrorizada com uma lanterna acesa em mãos sendo espiada pelo olhar (digamos) assassino do gigantesco predador – vale reparar também no plano em que Tim fecha a porta aberta do carro e percebemos a arcada dentária do T. Rex.
Outro vilão muito explorado pelo filme é o Raptor (ou Velociraptor) cuja natureza instintiva faz com que sempre cace em bando e, portanto, nunca aparece em cena sozinho (ok, em um momento específico do filme um deles age sozinho). São os raptores que protagonizam (ou antagonizam) a cena mais marcante do filme na minha humilde opinião – falem o que falar, até hoje sinto pavor daquelas duas crianças dividindo o espaço de uma cozinha com dois raptores. A seqüência da cozinha tinha uma questão de identificação muito forte para mim, pois a ameaça se dava a personagens da minha faixa etária e a decupagem realizada te coloca sempre em dúvida sobre as chances de esses personagens conseguirem escapar. Inclusive considero que essa cena foi revisitada em referência pelo próprio Spielberg em seu Guerra dos Mundos.  
Com ações bem conexas ao longo do roteiro, aprimoradas com efeitos especiais que não deixam a desejar até hoje e realçadas por uma trilha belíssima (é redundante dizer isso sobre John Williams) transformam Parque dos Dinossauros em um clássico desde o seu surgimento. Até hoje detém em minha vida pessoal a marca de ser o filme que mais vezes assisti, totalizando vinte e duas vezes e meia (uma vez peguei o filme pela metade) e, mesmo sem tê-lo visto durante anos, assisti-lo novamente em 2011 só me fez ter certeza do que digo neste texto.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O DISCURSO DO CONSERVADORISMO

Após a madrugada do último dia vinte e sete nada se alterou em minha vida. Acordei no dia seguinte e o cotidiano manteve-se intacto, pois, afinal, a maior festa da indústria cinematográfica nunca foi e, espero, nunca será capaz de influenciar o desenvolvimento dos verdadeiros artistas do cinema – cujo comprometimento único é com a sétima arte – e, tampouco, a admiração que tenho pelos seus trabalhos. Entretanto, não se pode negar que o Oscar tem sua importância, visto o status que possui junto aos grandes estúdios e produtores. As escolhas realizadas anualmente pelos membros da Academia têm – ou deveriam ter – no mínimo a intenção de incentivar os trabalhos realizados em cima da linguagem cinematográfica em suas diversas manifestações, além de celebrar os avanços artísticos presentes naqueles que, consideram-se os melhores filmes do ano. No último domingo a Academia, de forma extremamente equivocada, optou pelo antiquado, indo de encontro com todas as tentativas de renovação, as quais, dizem, estão sendo buscadas nos últimos anos. Mesmo assim, o discurso proferido na cerimônia de 2011, referente aos filmes do ano anterior, foi o do conservadorismo.
            Ao final de 2010 o filme A Rede Social de David Fincher colecionava prêmios da crítica cinematográfica, alcançando seu auge com os prêmios conquistados no Globo de Ouro. De lá para cá, um movimento muito curioso inverteu as previsões em favor de O Discurso do rei de Tom Hooper. Os prêmios de sindicatos de diretores e produtores, além do Oscar britânico (Bafta) laurearam o filme sobre o rei gago. A explicação mais convincente para esse fato está no lobby que teria sido realizado pela produção do filme inglês junto à comunidade de produtores hollywoodianos e cujo resultado seria visto nas doze indicações conquistadas pelo longa e nos quatro prêmios recebidos. É fácil entender que em situações que exigem uma eleição, buscar votos é um movimento natural daqueles que desejam a vitória. Entretanto era de se esperar que os votantes usassem o bom senso em detrimento da simpatia no momento de realizarem suas escolhas.
            O Discurso do rei é um filme simpático cuja sustentação se dá graças às atuações de seu elenco – formado por atores muito talentosos, por sinal. O roteiro possui falhas e a direção se constitui totalmente equivocada. Mais que isso, o drama histórico destoa completamente do discurso que sobrevoou o Oscar do ano passado. Se uma das justificativas dadas para a vitória de Guerra ao Terror era de que o filme trazia discussões pertinentes sobre o momento histórico-social, porque A Rede Social foi preterido este ano? E mesmo que o filme de David Fincher não fosse o favorito dos votantes: o que dizer da sensibilidade de Toy Story 3, dos mergulhos psicológicos de Cisne Negro e A Origem? A simpatia do filme de Hooper o faz um filme razoável, muito longe de ser o melhor filme do ano, principalmente se levarmos em consideração seus concorrentes mais pesados. Coube como consolação, a segunda parte do texto proferido por Steven Spielberg antes de anunciar os indicados a melhor filme, o qual dizia que os perdedores daquela noite juntar-se-iam ao rol de filmes como Cidadão Kane e Touro Indomável.

sábado, 9 de outubro de 2010

POETA BUCÓLICO

Desejo um mundo feto
sem forma ou planos definidos
envolto em útero infinito
Conceito de vivência de fato
sem medos ou medidas
Apenas vida
em estado pleno

Mario Chris

quarta-feira, 16 de junho de 2010

STREETS OF PHILADELPHIA (Bruce Springsteen)


Dia desses estava ouvindo umas músicas, em especial as feitas para o cinema, e fui pego desprevenido por Streets of Philadelphia. Fazia algum tempo que não a ouvia e voltar a sentir seu arranjo, prestar atenção em sua letra foi uma experiência muito agradável. Que bela música! Bruce Springsteen foi muito feliz em sua composição – ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e o Emmy; a emoção poética que transborda de sua música é extremamente reflexiva e, por isso, muito relevante. Aliás, belo filme Philadelphia! Tom Hanks é um grande ator, encarna com tanta sinceridade a dor do preconceito em um personagem cuja condição de homossexual e soropositivo o colocou diante da intolerância dos ditos normais. Além disso, o filme ainda toca na questão racial através do personagem de Denzel Washington – advogado que defende a causa do personagem de Hanks. Apesar de não repetir a genial direção de O Silêncio dos Inocentes, Jonathan Demme realizou um filme correto com várias questões e com uma atuação que rendeu o primeiro Oscar de melhor ator para Hanks (o segundo viria um ano depois com Forrest Gump).
            Mas o motivo pelo qual escrevo este texto é o fato de ter ouvido a bela canção de Springsteen. Olhar para si e perceber a sensação de esvaecimento e da presença do silêncio que o transforma em algo irreconhecível. É quase um tratado de Ingmar Bergman feito em canção. E a sua associação com o filme em questão torna uma reflexão extremamente intimista em uma questão social – o que fazemos com nossos semelhantes? Quem reconhecemos como sendo nossos semelhantes? É realmente um trabalho muito bonito. Aliás, uma das mais belas canções agraciadas com o prêmio da academia, uma das mais belas feitas para o cinema. 

terça-feira, 25 de maio de 2010

AMADEUS (Amadeus – EUA; 1984)

Direção: Milos Forman

            Para mim não há o menor exagero em afirmar que assistir ao filme Amadeus é ter consciência plena de que o cinema é capaz de fornecer obras de arte. Dentre mais de oitenta filmes vencedores do prêmio da Academia na categoria de melhor filme, este é meu favorito. Não apenas por tudo que salta aos olhos de quem o assiste, mas – principalmente – por tudo a que faz referência. Milos Forman foi extremamente feliz em seu projeto, reunindo uma direção belíssima com atuações inspiradíssimas e uma máquina de produção completa (fotografia, figurinos, direção de arte, maquiagem... não há do que reclamar). O diretor tcheco conseguiu, dessa forma, o seu segundo Oscar, menos de dez anos depois de conquistar o primeiro pelo, também belo, Um Estranho no Ninho.
            Muito mais que uma cinebiografia, Amadeus é quase uma alegoria sobre questões que residem no comportamento do homem, tais quais a inveja e o preconceito. A vida e a obra de Wolfgang Amadeus Mozart servem perfeitamente para tal: um jovem músico cujo dote musical manifestava-se desde os cinco anos, quando começou a compor suas primeiras obras. A partir da genialidade do personagem que dá título ao filme e de todas as lendas e mitos que existem em torno da sua figura, Forman nos apresenta a figura de Antonio Salieri, músico italiano que residiu em Viena, onde tornou-se compositor oficial do imperador austríaco.
            Salieri é a força motora de Amadeus. Logo na primeira cena, assistimos à sua tentativa de suicídio em meio a uma confissão de assassinato: ele se acusa, muito mais que confessa ter matado Mozart. Depois, diante de um padre, Salieri conta a história de sua relação com Amadeus, sua admiração pelo trabalho do jovem compositor e sua repulsa pelo estilo de vida do mesmo. Daí surge o grande questionamento do personagem: como seria possível um ser tão repulsivo ter a dádiva divina de compor as mais belas músicas já ouvidas?
            A aproximação dos dois músicos acaba por demonstrar para Salieri sua inferioridade em relação ao jovem contemporâneo, aumentando – cada vez mais – sua inveja, uma vez que, musicalmente, Mozart era tudo que ele gostaria de ser. Esse embate Salieri-Mozart é responsável pelos grandes momentos da narrativa, graças às belas atuações da dupla protagonista formada por F. Murray Abraham (Oscar de melhor ator pelo papel de Salieri e marcante em seus olhares analíticos de admiração e reprovação) e Tom Hulce (indicado pelo papel de Mozart e impagável com sua risada icônica). Como não se lembrar do primeiro encontro dos dois no palácio, quando Salieri tenta impressionar o visitante com uma marchinha que logo será “melhorada” por Mozart ou a belíssima cena em que os dois compositores “unem forças” para compor um réquiem?
            Entretanto considero que o maior feito desta obra é o fato de ter se apropriado livremente e poeticamente da biografia de dois músicos da segunda metade do século XVIII, enfatizando toda a mitologia que existe em torno da morte prematura de Mozart (alguns defendem que ele teria sido assassinado) e utilizando a loucura como fuga poética para a veracidade dos fatos narrados por Salieri. Sem dúvida alguma, Amadeus tem lugar eterno na história do cinema, fazendo jus à eternidade conquistada pela obra daquele que dá nome ao filme.

quarta-feira, 31 de março de 2010

POETA SEM MUNDO

Sente-se parte deste mundo?
onde, cada vez mais,
amizade é fantasia virtual,
felicidade, anestesia de poucos,
liberdade é sonho de todos
Somos parte de um mundo?
Que mundo é este? O que somos?
Somos seres de outro mundo
que caíram num obscuro sem fundo
em que ser homem é ser imundo

MARIO CHRIS